domingo, 19 de maio de 2013

Plantar Coco Infoteca Embrapa


No Brasil, tradicionalmente, a cultura
do coco ocupa a faixa litorânea do Nordeste,
onde é explorada a variedade Gigante, responsável
pela produção de “coco seco”. Essa
variedade, destinada ao mercado in natura e
à indústria de alimentos, ocupa uma área de
282 mil hectares, aproximadamente. Nessa
região, predominam pequenas propriedades
(menos de 10 ha), que se caracterizam pela
utilização de sistemas de produção semiextrativistas.
A partir de 1985, observou-se um crescimento
significativo do cultivo da variedade
Anão, destinada à produção de água-de-coco,
levando essa variedade a ocupar atualmente
uma área estimada de 80 mil hectares. Nesse
caso, observa-se que o plantio é realizado
em grandes áreas, onde se utilizam sistemas
intensivos de produção, com irrigação localizada
por microaspersão.

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O cultivo do coqueiro-híbrido, resultante
do cruzamento das variedades Gigante
e Anão, embora apresente grande potencial
produtivo decorrente de sua dupla aptidão
(indústria e água-de-coco), não apresenta
área significativa de plantio, haja vista as dificuldades
e os custos elevados para se obter
sementes híbridas.
Qualquer que seja a opção do produtor,
a cultura do coqueiro apresenta grande potencial
de exploração, considerando-se sua
capacidade de adaptação a diferentes condições
de clima e solo, além do que se presta
muito bem ao cultivo consorciado com outras
culturas, característica da maior importância
para o pequeno produtor com limitada área
de cultivo.
Importância Econômica
A produção brasileira de coco, que chegou
a 1,3 bilhão de frutos em 2001, encontra-se
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distribuída por todo o território nacional,
com exceção do Rio Grande do Sul e de
Santa Catarina, em decorrência de suas limitações
climáticas durante parte do ano.
Em 1985, no Brasil, a área colhida com
coqueiro situava-se em torno de 166 mil hectares.
De 1985 a 2001, houve um acréscimo
de 100 mil hectares na área plantada, o que
significa que, no início de 2006, essa área
ultrapassou, seguramente, os 266 mil hectares,
70% dos quais estima-se que sejam de
coqueiro-anão, 15% de coqueiro-híbrido e
outros 15% de coqueiro-gigante.
Nesse mesmo período, verificou-se um
deslocamento das áreas tradicionais de produção
de coco em direção às regiões Norte e
Sudeste (Tabela 1). Nessa tabela, pode-se
constatar que em 1985 a Região Nordeste
detinha mais de 94% da produção e mais de
96% da área colhida com coco, ao passo que,
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em 2001, sua participação foi reduzida para
71,2% da produção brasileira e para 87,6%
da área total colhida. Para a produção conjunta
das regiões Norte e Sudeste, observa-se que
sua participação na produção total passou de
5,6% para 28,8%, entre 1985 e 2001. O
aumento significativo tanto do percentual de
produção quanto, principalmente, do rendimento
por hectare observado nessas regiões
pode ser atribuído à utilização da cultivar
Anão Verde, destinada à produção de águade-
coco, que se caracteriza por maior
produção de frutos por hectare.
Fonte: IBGE – Produção Agrícola Municipal.
Tabela 1. Rendimento, área colhida e produção de coco, por
região, em 1985 e em 2001.
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Origem e Distribuição
A hipótese mais aceita é que o coqueiro
tenha se originado no Sudeste Asiático, principalmente
nas ilhas entre os oceanos Índico e
Pacífico. Dessa região, foi levado para a Índia
e em seguida para o Leste Africano. Após o
descobrimento do Cabo da Boa Esperança,
foi introduzido no Oeste Africano e daí para
as Américas e toda a Região Tropical do globo.
No Brasil, as evidências históricas indicam
que o coqueiro-gigante foi introduzido
em 1553, pelos portugueses. A introdução dos
coqueiros-anões ocorreu da seguinte forma:
o anão-verde, em 1924, de Java, e em 1939,
do Norte da Malásia; o anão-amarelo, em
1938, e o anão-vermelho, em 1939, ambos
provenientes do Norte da Malásia. O anãovermelho-
de-camarões foi introduzido em
1978, proveniente da Costa do Marfim.
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No Brasil, o coqueiro-gigante é cultivado
predominantemente no litoral do Nordeste,
local de sua introdução pelos portugueses em
meados do século 16. Ultimamente, vem se
expandindo para as regiões Norte e Centro-
Oeste, para partes do Sudeste e do Sul, e
para a Região Semi-Árida do Nordeste, por
meio de projetos governamentais de fomento
à cultura e, principalmente, de grandes projetos
privados, podendo ser considerado como
uma alternativa para o desenvolvimento sustentável
dessas regiões.
Aspectos Botânicos
O coqueiro (Cocos nucifera L.) é a única
espécie do gênero cocos pertencente à família
Palmae, uma das mais importantes famílias
da classe Monocotyledoneae.
Raiz – O coqueiro não possui uma raiz
principal, mas um sistema radicular fasciculado
característico das monocotiledôneas. A base
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do tronco produz continuamente, durante toda
sua vida, as raízes mais grossas (raízes primárias),
com 8 a 10 mm de diâmetro, em número
variável de 2 mil a 10 mil, dependendo das
condições ambientais e do material genético.
Essas raízes, cuja principal função é a fixação
do coqueiro ao solo, apresentam capacidade
de absorção reduzida, restrita à pequena parte
clara situada logo atrás da coifa, a qual é responsável
pela absorção de água e de substâncias
minerais do solo.
Das raízes primárias partem as secundárias
e destas, as terciárias, que produzem radicelas
com 1 a 3 mm de diâmetro, as quais
constituem os verdadeiros órgãos de absorção,
uma vez que as raízes do coqueiro não
possuem pêlos absorventes. As radicelas encontram-
se nas camadas mais superficiais do
solo, podendo aprofundar-se, dependendo da
umidade do solo e da proximidade do lençol
freático.
Fonte do Livro como plantar coco Embrapa pag 9 a 15

Autores
Dulce Regina Nunes Warwick
Engenheira agrônoma, Ph.D. em Fitopatologia
Pesquisadora da Embrapa Tabuleiros Costeiros
dulce@cpatc.embrapa.br
Edna Castilho Leal
Engenheira agrônoma, M.Sc. em Fitopatologia
Pesquisadora da Embrapa Tabuleiros Costeiros
edna@cpatc.embrapa.br
Edson Eduardo Melo Passos
Biólogo, M.Sc. em Fisiologia Vegetal
Pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros
edson@cpatc.embrapa.br
Fernando Luis Dultra Cintra
Engenheiro agrônomo, Dr. em Física do Solo
Pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros
fcintra@cpatc.embrapa.br

http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/122591/1/00078970.pdf

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