sexta-feira, 10 de maio de 2013

Coqueiro : Doenças e métodos de controle



Doenças e métodos de controle
Dulce Regina Nunes Warwick

Edna Castilho Leal
São reconhecidas no mundo varias doenças atacando o coqueiro, das quais algumas ocorrem nas condições brasileiras e variam de importância de uma região para outra. Entre estas, as mais importantes são: lixa-pequena, queima-das-folhas, anel-vermelho, murcha-de-phytomonas e podridão seca. 30sistema de Produção 01 – Embrapa Tabuleiros Costeiros
Queima das folhas.
Etiologia
Anamorfo: Lasiodiplodia theobromae (Pat.) (Griffon & Maubl)= Botryodiplodia theobromae Pat. Teleomorfo: Botryosphaeria cocogena Subileau
Distribuição geográfica
A queima das folhas é atualmente um dos mais sérios problemas da cultura do coqueiro em todo o Nordeste brasileiro. A doença é originária do Brasil e ocorre de forma epidêmica em Alagoas, Bahia, Paraíba, Pará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Em outros países a sua ocorrência é citada apenas na Guiana Francesa.
Plantas hospedeiras
O fungo Lasiodiplodia theobromae (Pat.) (Griffon & Maubl) é encontrado atacando diversas culturas entre elas: ata cacaueiro, cupuaçuzeiro, eucalipto, gravioleira, mandioca, mamoeiro e seringueira.
Sintomatologia
Os sintomas da doença iniciam a partir das folhas inferiores. Caracteriza-se por um secamento dos folíolos localizados na extremidade da folha em forma de V, que avança pela ráquis até atingir a base da folha, que seca prematuramente. Concomitantemente, surgem nos folíolos manchas de coloração marrons clara a avermelhada, de formato irregular e alongadas, que também progridem em direção à ráquis onde se observa um exudado de goma.
Uma vez na ráquis a doença torna-se sistêmica evoluindo para a queima da folha, determinando sua queda prematura. Em conseqüência, o cacho fica sem sustentação e cai antes de completar a maturação. O avanço da doença na planta provoca a redução da área fotossintética, o que reflete significativamente na produtividade. Essa doença chega a atingir cerca de 50% das folhas de uma planta e até 100% da plantação, daí seu caráter endêmico na região de ocorrência.
Medidas de controle
 Remover e queimar folhas infectadas durante o período chuvoso ou inverno
Lixa pequena
Etiologia
 Anamorfo: Desconhecido
 Teleomorfo: Phyllachora torrendiella (Batista) Subileau = Catacauma torrendiella Batista
Distribuição geográfica
A lixa pequena só existe no Brasil, sendo todas as variedades e híbridos cultivados suscetíveis em diferentes graus. Foi relatada pela primeira vez no Estado de Pernambuco e atualmente encontra-se em quase todas as regiões onde se cultiva o coqueiro. É considerada a doença mais importante da cultura nos Estados de Pernambuco, Pará, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Bahia. 31sistema de Produção 01 – Embrapa Tabuleiros Costeiros
Plantas hospedeiras
Allagoptera brevicalyx (buriti-de-praia), Bactris ferruginea (mané-véio) e Syagrus coronata (ouricuri).
Sintomatologia
A doença é caracterizada por pequenos pontos negros, também conhecidos como verrugas, os quais ocorrem por todas as áreas dos folíolos, ráquis, pedúnculo floral e frutos do coqueiro. Nos folíolos as manchas são inicialmente amareladas e posteriormente necróticas, na forma de losângulo. Estas manchas crescem e coalescem, causando a necrose total dos folíolos.
Medidas de controle

 Corte e queima das folhas muito infectadas e secas.
 Plantio de leguminosas para permitir a fixação de nitrogênio.
 Biocontrole com os fungos hiperparasitas Acremonium alternatum, A persicinum, A. cavaraeanum, Dycima pulvinata e Septofusidium elegantulum apesar de apresentarem bom potencial de controle, têm demonstrado resultados variáveis, os quais podem ser atribuídos a diversos fatores. Estudos atualmente estão sendo conduzidos com o objetivo de aumentar a eficiência desse sistema de controle.
Etiologia:
Lixa grande
 Anamorfo: Desconhecido
 Teleomorfo: Sphaerodothis acrocomiae (Montagne) von Arx & Muller = Coccostroma palmicola (Speg.) von
Arx & Muller
Distribuição geográfica
Ocorrência semelhante à lixa pequena
Plantas hospedeiras
Attalea funifera (piaçava)
Sintomatologia
A doença manifesta-se sobre o limbo, na nervura dos folíolos e na ráquis foliar, com grossos peritécios de coloração marrom que podem atingir 2 mm de diâmetro. Essas frutificações estão geralmente dispostas na borda do folíolo, ao lado da nervura central ou sobre ela. Os peritécios também aparecem na face inferior do limbo. A ráquis é também parasitada pelo fungo e os estromas se soltam facilmente.
Medidas de controle

  Corte e queima das folhas muito infectadas, no período chuvoso ou inverno.
Plantio de leguminosas para permitir a fixação de nitrogênio.
 Biocontrole com os fungos hiperparasitas Acremonium alternatum, A. persicinum, A. cavaraeanum, Dycima pulvinata e Septofusidium elegantulum têm apresentado resultados positivos, embora com variações possivelmente em função das condições locais. 32Sistema de Produção 01 – Embrapa Tabuleiros Costeiros
Anel vermelho
Etiologia
 Nematóide: Bursaphelenchus cocophilus (Cobb) Baujard = Rhadinaphelenchus cocophilus Cobb
Distribuição geográfica
Essa doença é encontrada em toda região produtora de coco no País, na América Central, no Caribe e na América do Sul.
Plantas Hospedeiras
Além de todas as variedades de coqueiro, são também suscetíveis as espécies buriti do brejo (Mauritia flexuosa),catolé (Syagrus romanzoffiana, S. schizophylla), dendenzeiro (Elaeis guineensis), inajá (Maximiliana maripa),macaúba (Acrocomia aculeata, A. intumescens, A. sclerocarpa), palmeira real (Roystonia regia, R. oleraceae),piaçava (Attalea funifera), tamareira (Phoenix dactylifera, P. canariensis), Guilielma sp., Sabal umbraculiferum e Syagrus coronata.
Sintomatologia
Os sintomas variam dependendo das condições ambientais, idade e variedade do hospedeiro. Os sintomas externos são caracterizados pelo amarelecimento das folhas basais, começando pela seca da ponta para a base. As folhas tornam-se necrosadas e quebram na base da ráquis. Com o progresso da doença, as folhas inferiores apresentam-se penduradas, presas ao estipe. Num estádio mais avançado, ocorre o apodrecimento do meristema apical, causado por microorganismos saprófitas. Plantas mortas apresentam o topo desnudo. O sintoma interno é observado através de um corte transversal no estipe, apresentando-se sob a forma de um anel, de coloração marrom ou vermelha, medindo cerca de 4 a 6 cm e distante da periferia cerca de 2 a 3 cm.
Medidas de controle
 Erradicação de plantas mortas, com sintomas da doença ou não.
 Desinfecção das ferramentas utilizadas no corte das plantas doentes.
Uso de armadilhas atrativas contendo cana mais o feromônio de agregação Rincoforol para captura do inseto vetor (ver detalhes em broca-do-olho).
 Controle biológico do inseto vetor com o fungo Beauveria bassiana inoculado na isca vegetal (ver detalhe em broca-do-olho). Murcha de Fitomonas
Etiologia
 Protozóario: Phytomonas sp.
Distribuição geográfica
A murcha de Fitomonas também conhecida como hartrot, marchitez sorpressiva, fatal wilt, murcha do coqueiro e murcha de Cedros. Foi constatada a ocorrência no Suriname, Trinidad e Guiana Inglesa, e atualmente relatada no 33Sistema de Produção 01 – Embrapa Tabuleiros Costeiros Caribe, América Central e América do Sul. No Brasil foi assinalada na Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Alagoas.
Plantas hospedeiras
O protozoário pode sobreviver em plantas daninhas, inclusive do gênero Euphorbia, além das culturas como dendezeiro, piaçava, palmeira real, inajá e a palmeira rabo de peixe anã (Caryota mitis).
Sintomatologia
Os sintomas da doença iniciam a partir das folhas mais baixas para as mais altas e da extremidade para a base da folha. As folhas vão ficando amareladas e com a progressão da doença tornam-se marrom-avermelhadas, coloração esta que varia a depender da variedade da planta. As inflorescências tornam-se necrosadas e secas, ocorrendo a queda prematura dos frutos. A inflorescência da espata fechada encontra-se parcial ou totalmente enegrecida, sintoma este bastante característico dessa doença. Observa-se na planta, em fase final da doença, uma podridão fétida no broto apical.
Medidas de controle

 Erradicar as plantas doentes.
 Manter as plantas no limpo pela eliminação das plantas daninhas.
 Retirar as folhas mais velhas e as bainhas mortas, as quais podem abrigar o percevejo vetor.
 Controle químico dos vetores Lincus spp e Ochlerus sp. com o produto monocrotofós (40g. i.a/100L de água)a cada três meses.
Podridão seca
Etiologia
 Doença de etiologia ainda indefinida, contudo resultados de pesquisa preliminares tem associado aos sintomas das doenças a presença de fragmentos de DNA de 1, 2 Kb similar à um grupo de fitoplasmas.
Distribuição geográfica
A podridão seca ocorre em viveiros e em plantios novos definitivos. Foi registrada na Costa do Marfim, Filipinas, Indonésia, Malásia e Brasil.
Plantas hospedeiras
O dendezeiro tem se mostrado sensível a esta doença.
Sintomatologia
O sintoma externo da doença caracteriza-se pela paralização do crescimento e pelo secamento da folha central. Internamente, aparecem no coleto, lesões internas de coloração marrom com aparência de cortiça, observada através de corte longitudinal na planta. 34sistema de Produção 01 – Embrapa Tabuleiros Costeiros
Sistema de Produção para a Cultura do Coqueiro
Medidas de controle
 Erradicação imediata de todas as plantas doentes.
Evitar a instalação do viveiro em locais úmidos.
Eliminar ervas daninhas, principalmente, as gramíneas.
Pulverizar as áreas foco com monocrotofós (40g. i.a/100L de água) a cada 15 dias visando a eliminação do inseto vetor (cigarrinhas da família Delphacidae). Contudo este produto ainda não está registrado para a cultura. Mancha foliar ou mancha de helmitosporio
Etiologia
Anamorfo: Bipolaris incurvata = Drechslera incurvata = Helmintosporium incurvatum = H. halodes
Teleomorfo: Cochliobolus sp
Distribuição geográfica
Cosmopolita
Plantas hospedeiras
Este fungo é comum em vários hospedeiros, contendo aproximadamente 45 espécies que são parasitas de plantas tropicais e subtropicais.
Sintomatologia
Nas folhas surgem lesões arredondadas de coloração verde claro com o centro escuro, ocorrendo à formação de um halo amarelado. À medida para que evoluem tornam-se ovais, alongadas no sentido da nervura dos folíolos. Em casos severos, as lesões coagissem provocando o secamento dos folíolos, podendo até provocar a morte da planta. Na planta aparecem sempre a partir das folhas mais velhas.
Medidas de controle
 Remover e queimar folhas infectadas
Evitar adubação excessiva com nitrogênio
Resultados de pesquisa sugerem alguma eficiência de controle pulverizando a folhagem com fungicidas a base de Mancozeb ou Captan em intervalos semanais ou Tebuconazole em intervalos de 15 dias direcionando o jato para a face inferior dos folíolos. Contudo estes produtos ainda não estão registrados para a cultura.

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